segunda-feira, Junho 11, 2012

da arte conceptual, John Baldessari e Tom Waits

Muito honestamente não conhecia John Baldessari. Apesar de achar uma certa "graça" à arte conceptual, nunca lhe reconheci grande valor, pela simples razão de que acredito que uma obra deve ser capaz de valer per se. A minha perspectiva sobre a arte diz-me que ela deve ser, essência, e como tal deve valer-se apenas de si e de tudo o que consiga estimular em seu redor.

Stonehenge (With Two Persons) Green, 2005 de John Baldessari

Além disso existe uma outra questão subjacente à arte conceptual que me incomoda, que é o facto se atirar mais em direcção ao académico e menos ao artístico. Ou seja, é verdade que as ideias subjacentes a muitas destas obras são de grande excelência, mas na maior parte das vezes são depois suportadas por técnica artística algo básica. Se percebo que o que se quer transmitir se pretende que esteja acima do artístico, e se pretende que não possa ser perturbado pela beleza do que esta possa transmitir, também é verdade que nos soa a algo básico em termos técnicos. Concluindo porque isto daria muita discussão, se alguém tem algo a dizer, mas tem dificuldade em exprimir essas ideias em formas visuais, sonoras, escultóricas ou outras então que o faça simplesmente em texto, em texto académico e depois debata com os seus pares. Agora criar um hibridismo no qual a técnica artística é na maior parte das vezes menosprezada em favor de uma ideia, de uma mensagem que se quer comunicar, parece-me pouco eficiente.

The Spectator Is Compelled …, 1966–1968, (2004) de John Baldessari

Não quer dizer que esta não devesse existir, porque esta tem servido em muitos momentos da nossa história para criar a ruptura, o que é desde logo de extrema relevância. Mas não chega, pelo menos para mim!

Everything is Purged from this Painting, 1968 de John Baldessari

Quanto ao pequeno documentário criado para o Los Angeles County Museum of Art | LACMA por Henry Joost e Ariel Schulman, a dupla que já tinha feito o interessantíssimo documentário Catfish (2010), é toda uma outra abordagem. São 5 minutos feitos num mashup de imagens, quadros, textos, vozes, filmes antigos, tudo colado pela narração monumental de Tom Waits. Acredito que muitos como eu que não conheciam Baldessari o quererão conhecer depois de ver este brilhante trabalho audiovisual de Henry Joost e Ariel Schulman e Tom Waits. Um filme que tem muito pouco de conceptual e muito de artístico, de atenção ao detalhe estético, em que o filme se cola na perfeição às imperfeições da voz de Waits. Tanto Waits como este filme de Joost e Schulman têm muito pouco de conceptual, e isso não deixa de ser interessante, e estimulante à volta de tudo o que aqui discutimos.

A Brief History of John Baldessari (2012) de Henry Joost e Ariel Schulman
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